Ana Paula Torres Megiani. O rei ausente. São Paulo: Alameda, 2004.
Entre 1581 e 1640, o Império português, aí compreendidas a metrópole e suas colônias, esteve sob o domínio da monarquia hispânica. O período, referenciado como o “tempo dos Felipes”, foi marcado pela tensão entre as tradições lusitanas e o governo estabelecido em Madri. A obra, fruto de uma longa pesquisa em arquivos resultou num trabalho que analisa a maneira como os portugueses lidaram com a ausência do rei, figura até então indissociável do Estado. A autora enfoca duas festas ocorridas em Portugal para receber os monarcas Felipe II e Felipe III. Organizadas em 1581 e 1619 respectivamente, as festividades são comparadas entre si, incluindo as atividades artísticas – poesia, teatro, escultura, música – mobilizadas para sua realização. O simbolismo das festas, que contribui para a afirmação da estrutura de poder, e sua importância política é discutido, evidenciando os compromissos, direitos e deveres instaurados para seus participantes.
